Quem sou eu

Minha foto
Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

14 de nov de 2010

Stephen Hawking: o físico-celebridade

Livro tira vida de Stephen Hawking do buraco negro e revela como ele lida com adoença que deveria tê-lo matado há 40 anos


Hoje ele é comparado a Einstein. Pode ser exagero. Mas que Stephen Hawking é o físico mais famoso desde o pai da teoria da relatividade, isso é. Sua genialidade passou meio despercebida na infância para manifestar-se na época de colégio – e despontar de vez na universidade. Certa vez, em 1960, o professor do curso de matemática da Universidade de Oxford, na Inglaterra, pediu que a turma resolvesse alguns problemas. Enquanto os amigos de Hawking levaram uma semana para solucionar apenas um deles, Stephen respondeu nove em questão de horas.
Essa é uma das histórias reunidas por Michael White e John Gribbin na recém-lançada biografia Stephen Hawking – Uma Vida para a Ciência. No livro, os autores contam também que Hawking levava o curso universitário tão na flauta que costumava ficar entediado. E que, antes de aparecerem os primeiros sintomas de sua doença, a esclerose lateral amiotrófica (ELA), ele adorava remar.
Hawking descobriu que tinha a doença quando fazia seu doutorado na Universidade de Cambridge. O primeiro sinal foi um pequeno problema de fala, no início de 1962. Depois, dificuldade de coordenação: no Natal daquele ano, ele não conseguiu encher seu copo de vinho – a maior parte do líquido foi parar na mesa. No início de 1963, Stephen Hawking, então com 21 anos, ouviu o diagnóstico da ELA. E também que lhe restavam somente cerca de dois anos de vida.
O prognóstico mostrou-se falho. Ele consolidou teorias sobre buracos negros e o Big Bang, que revolucionaram a cosmologia (estudo da evolução do Universo), casou-se, teve três filhos, separou-se depois de 25 anos, casou-se de novo (com sua enfermeira) e escreveu alguns best-sellers. Entre eles, Uma Breve História do Tempo, que vendeu 10 milhões de cópias no mundo todo e acaba de ganhar uma outra edição, atualizada e simplificada, Uma Nova História do Tempo.
Atualmente, aos 63 anos, o físico quase nem mexe mais os dois dedos da mão esquerda, a única forma que tinha para se comunicar com o mundo, digitando num teclado especial (veja como funciona seu aparato tecnológico na página ao lado). Desde setembro do ano passado, a comunicação acontece na maior parte das vezes por meio de um sofisticado mecanismo que pode ser acionado apenas com o piscar de seus olhos.

Saiba mais
Livros
Stephen Hawking – Uma Vida para a Ciência, Michael White e John Gribbin, Record, 2005

Sobre rodas

Como funciona aparafernália tecnológica que permitea Hawking se comunicar
Num piscar de olhos
Hawking pode agora controlar seu computador piscando os olhos. A partir de seus óculos, a 2,5 centímetros da bochecha, o sistema desenvolvido pela empresa Words+ emite um pequeno sinal infravermelho. Conforme pisca o olho, o músculo da bochecha se move – e o infravermelho capta a mudança. Ele vai piscando e as funções do computador vão mudando, até ele selecionar o que quer fazer.
Tela plana
Tudo de que Hawking precisa para se comunicar com o mundo está no monitor de seu computador, que fica preso à cadeira de rodas. Na tela, entre outras coisas, há um ícone para acessar o software que ele utiliza para escrever e um outro que permite conexão à internet. Assim, o cientista pode navegar e ler seus e-mails – ele recebe centenas deles ao dia e, claro, não dá conta de respondê-los.
Como um joystick
Um pino que pode ser movimentado para todos os lados faz as vezes de volante da cadeira de rodas. Mesmo com apenas dois dedos da mão esquerda, Hawking consegue operar o sistema com uma agilidade surpreendente. Um botão localizado perto do pino serve como uma espécie de mouse de seu computador – com ele, o físico seleciona o programa que quer usar e até as palavras que quer formar. O mesmo sistema pode ser acionado também com o piscar de olhos.
Voz mecânica
O sistema que permite a Stephen Hawking escrever seus artigos científicos, apresentações e livros é o software EZKeys, da Words+, que funciona em PCs. O mesmo software também permite que Hawking fale, por meio de um sintetizador de voz – o físico selecionar palavras que elas são ditas em voz alta. Além disso, o sistema pode ligar e desligar aparelhos e abrir portas em sua casa por meio de ondas de rádio, como um controle remoto.

Entrevista

História - Por que a decisão de escrever um livro sobre Hawking?
Michael White - Decidimos escrever o livro não somente porque ele é um grande cientista, mas também porque é uma megacelebridade mundial. Até agora, sua vida era um mistério. Acreditamos que o público gostaria de saber como ele tem vivido com sua doença e como tem uma vida bem-sucedida, contrariando todas as expectativas.
Hawking tem sido comparado a Albert Einstein. É uma boa comparação?
Acho que não. Hawking é parecido com Einstein em somente dois aspectos. Primeiro, ele trabalha em uma área relacionada, de forma prosaica, a Einstein. Segundo, Hawking é o primeiro cientista desde a época de Einstein que se tornou incrivelmente famoso. Hawking fez vários bons trabalhos, mas suas contribuições não são comparáveis aos feitos de Einstein, que criou a relatividade e co-criou a teoria quântica – duas das mais importantes áreas da ciência.
Qual a influência da esclerose lateral amiotrófica no trabalho de Hawking?
De certo modo, Hawking tem tido muita sorte. A doença existe em duas formas. Uma afeta o cérebro, a outra somente o corpo. Hawking sofre da última e tem sido capaz de trabalhar apesar dos efeitos da doença. É até possível afirmar que seu trabalho se beneficiou da doença, pois ele está livre das chatas e longas tarefas administrativas que atrapalham o dia-a-dia da maioria dos acadêmicos.

Michael White é jornalista especializado em artigos científicos