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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

14 de jun de 2011

MATÉRIA Nº3 - Neurônio produzido in vitro não funciona



                      Células derivadas da medula óssea são incapazes de transmitir impulso

 "Parece neurônio, mas não é." Essa, talvez, seja a melhor maneira de resumir o resultado de uma pesquisa brasileira publicada na revista PLoS One. Os cientistas analisaram a funcionalidade de células neurais geradas pela diferenciação de células-tronco da medula óssea de ratos e descobriram que, apesar de se parecerem muito com neurônios - e serem tratadas como tal -, elas não são células funcionais. Por exemplo, são incapazes de transmitir sinais elétricos, uma característica básica de qualquer neurônio. "Elas têm cara de neurônio, têm cheiro de neurônio, mas certamente não são neurônios", diz o pesquisador Luiz Eugênio Mello, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os resultados, segundo ele, têm implicações importantes sobre o potencial terapêutico das células-tronco em geral.
 A pesquisa foi feita com células-tronco mesenquimais, um tipo presente na medula óssea que dá origem a ossos e cartilagem. Vários estudos publicados nos últimos anos sugerem que essas células podem também se transformar em neurônios, se expostas a certos fatores químicos in vitro.
De fato, à primeira vista, as células assumem uma morfologia muito parecida com a de neurônios e até expressam proteínas típicas de células neuronais. Isso não significa, porém, que sejam capazes de funcionar como neurônios.
A equipe brasileira resolveu tirar a prova com células-tronco mesenquimais da medula óssea de ratos. Utilizando um protocolo padrão de diferenciação desenvolvido em 2000 e adotado por vários laboratórios no mundo, os cientistas produziram "neurônios" de células mesenquimais e testaram sua funcionalidade, comparando-as a neurônios "de verdade". A principal falha detectada foi a incapacidade de produzir potenciais de ação - nome dado aos impulsos elétricos pelos quais os neurônios transmitem informações. "Uma célula que não produz potenciais de ação não pode funcionar como um neurônio", afirma Mello. Segundo ele, as substâncias químicas usadas para induzir a diferenciação in vitro danificam as células. Cerca de 50% delas morrem após 24 horas de cultivo. "Não é que não seja possível produzir neurônios de células mesenquimais, mas é preciso um cuidado maior na hora de interpretar os resultados", diz a biomédica Gabriela Barnabé, do Laboratório de Neurofisiologia da Unifesp.
 Implicações
Apesar de ter sido feito só com células de rato, é muito provável que os resultados do estudo se apliquem também às células-tronco mesenquimais humanas, já que os protocolos de diferenciação são bastante semelhantes, segundo a pesquisadora Rosália Mendez-Otero, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso não significa, porém, que elas não tenham utilidade clínica. "As células-tronco mesenquimais certamente têm um potencial terapêutico importante, mas não é porque viram neurônios", afirma Rosália, que também assina o estudo na PLoS One. Segundo ela, os efeitos terapêuticos observados em vários estudos com animais e seres humanos devem-se, mais provavelmente, a um efeito de modulação do processo inflamatório.
Os "neurônios" obtidos das células mesenquimais estariam atuando como "enfermeiras" celulares, secretando moléculas que combatem a inflamação e ajudando o tecido danificado a se recuperar. Fazer essa diferenciação é crucial, explica Rosália, para saber em que casos as células-tronco mesenquimais podem ser úteis ou não.
 No caso de um acidente vascular cerebral (AVC, ou derrame), elas seriam úteis apenas na fase aguda da lesão, para combater a inflamação, mas não na fase crônica, já que não têm a capacidade de formar novos neurônios. "O racional da terapia muda", conclui a cientista.
Fonte: Jornal da Ciência