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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

3 de mar de 2012

A Ciência da radicalização

Por antonio |Jorge de Melo

Jargão bastante trivial e comum na linguagem do brasileiro, a palavra radical teve seu uso bastante alardeado durante a ditadura militar no Brasil, momento histórico em que o que não faltava eram radicalizações, tanto da chamada direita militarista, quanto da esquerda socialista. Com o advento da Democracia em nosso país, bem como com o fim do Comunismo Russo, e a queda histórica do muro de Berlim esse modelo de radicalização deixou de ter importância.
Contudo, o vocábulo ainda tem lá suas indicações de uso, e nem podemos dizer que ele saiu de moda. Pensando em ciência, acredito que esse seria um lugar onde essa palavra nunca deveria ter assento. Pois a ciência é o próprio antagonismo e o antídoto da radicalização.
 Peraí...    mas afinal de contas, o que significa o termo radical? 
O termo radical deriva da palavra latina radix, que significa "raiz". Há, no entanto, vários sentidos para o termo, dependendo da área na qual ele é aplicado:
Em filosofia e política, algo relacionado ao radicalismo
Em química: Radical (química)
Em linguística: Radical (linguística)
Em fonética: Consoante radical
Em matemática: Radical (matemática)
Em biologia (genética): Radical livre
Feita essa ressalva, agora vamos falar da palavra radical dentro do assunto Genética, mas com o sentido político/filosófico do termo.
A ciência é antes de tudo flexivel, aberta e contestadora. Não existem verdades absolutas ou duradoras na ciência, porque na verdade a ciência funciona como se fosse um quebra-cabeças, e a cada peça que é juntada ao conjunto, vai se definindo um quadro que começa a se tornar perfeitamente compreensivel.
Se o homem radicalizasse nos primórdios da evolução da ciência, com certeza não teríamos chegado onde estamos agora . Se as conclusões equivocadas ou precipitadas fossem mantidas a ferro e fogo, muitas verdades não seriam reveladas ao mundo.
Portanto, o que hoje pacientes de ELA, familiares e cuidadores vislubram no campo das discussões das pesquisas com CT é uma espécie de radicalização de idéias e conceitos, o que, conforme afirmei, não deveria ter assento nessa tribuna. A ciência só pode ser confirmada ou desmentida através da experimentação, e é a experimentação o fiel dessa balança. Qualquer outra tentativa de se provar alguma coisa apenas com palavras, é retórica inutil.