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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

5 de mar de 2012

Retardando a progressão dos sintomas da ELA

 
O tratamento com dexpramipexole - um novo medicamento que parece evitar a disfunção das mitocôndrias, as estruturas subcelulares que fornecem a maior parte da energia de uma célula - parece retardar a progressão dos sintomas na doença
05/03/2012

O tratamento com dexpramipexole - um novo medicamento que parece evitar a disfunção das mitocôndrias, as estruturas subcelulares que fornecem a maior parte da energia de uma célula - parece retardar a progressão dos sintomas na doença neurodegenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Resultados promissores de um estudo de dexpramipexole em 2 fases estão recebendo publicação online na revista Nature Medicine. Alguns resultados preliminares do estudo foram apresentados no International Symposium on ALS / MND (doença do neurônio motor) em 2009 e na reunião anual da Academia Americana de Neurologia em 2010.

"Hoje, existem apenas duas drogas aprovadas pela FDA usadas para tratar a Esclerose Lateral Amiotrófica – o Riluzol, que prolonga a vida útil em cerca de 10 por cento, e o Nuedexta, que trata da instabilidade emocional que caracteriza a ELA e outros distúrbios neurológicos", disse Mérito Cudkowicz, diretor da Unidade de Ensaios Clinicos em Neurologia e do Centro de ELA do Hospital Geral de Harvard em Massachusetts e principal autor do estudo. "Precisamos de mais terapias para retardar, parar e reverter o curso da doença e também de terapêuticas para tratar os sintomas."

Também conhecida como doença de Lou Gehrig, a ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores no cérebro e na medula espinhal. A morte dessas células nervosas interrompe a transmissão de impulsos nervosos para as fibras musculares, levando à fraqueza, paralisia e morte, geralmente por insuficiência respiratória. Acredita-se que a disfunção mitocondrial seja um dos vários fatores que favorece a morte das células nervosas. Inicialmente desenvolvido pelo Knopp Biociences, de Pittsburgh, o dexpramipexole parece proteger os neurônios da disfunção mitocondrial.
Vários pesquisadores do Knopp, que patrocinou o estudo relatado no presente artigo, colaboraram com Cudkowicz e com o Northeast ALS Consortium neste ensaio. Co-fundado e co-dirigido por Cudkowicz, o Northeast ALS Consortium conta com mais de 100 clínicas na América do Norte trabalhando unidas e em sistema de cooperação em ensaios clínicos e estabelecendo a infra-estrutura necessaria e,de forma rápida e eficiente, apresentando novos tratamentos para pessoas com o transtorno.

A progressão da ELA pode variar bastante, com alguns pacientes sobrevivendo décadas após o diagnóstico e outros morrendo dentro de um ano. Por isso, pode ser bastante desafiador desenvolver ensaios em 2 fases, que precisam tanto testar os níveis de dosagem como determinar a eficácia potencial em pequenos grupos de participantes e em breves períodos de tempo. Para enfrentar este desafio, a equipe de pesquisa desenvolveu um estudo em duas etapas. Na primeira, 102 pacientes que tinham sido recentemente diagnosticados com ELA foram randomizados em quatro grupos, recebendo comprimidos orais de placebo ou de dexpramipexole no total de doses diárias de 50, 150, ou 300 mg por 12 semanas. Quando esta etapa foi concluída, os participantes que continuaram no ensaio clínico receberam placebo por quatro semanas e, em seguida, foram randomizados novamente em dois grupos diferentes, recebendo doses diárias de 50 ou 300mg da droga estudada durante 24 semanas.

Os resultados da primeira fase mostraram que o dexpramipexole retardou a progressão dos sintomas medidos tanto pela Escala de Avaliação Funcional da ELA como pela capacidade pulmonar. O efeito protetor foi maior no grupo de 300 mg - nos quais a progressão dos sintomas foi aproximadamente 30 por cento mais lenta do que no grupo placebo - e pouco efeito foi observado nos que receberam 50 mg. A segunda etapa mostrou resultados semelhantes, com progressão mais lenta da doença e um risco reduzido de morte nos participantes que receberam a dosagem maior. Embora os resultados não tenham sido de modo geral estatisticamente significativos, devido ao tamanho pequeno e à curta duração do estudo, todas as tendências dos dados responderam às dosagens.
“Já que os participantes individuais podem ter estado em diferentes grupos de tratamento nas primeira e segunda fases do estudo, ver as mesmas diferenças dose-dependentes em ambas as fases, nos faz confiar nos dados. De certa forma, foram dois estudos de suporte em um projeto de ensaio clínico", disse Cudkowicz, Professor de Neurologia da Harvard Medical School. "A confirmação destes achados no ensaio clínico na fase 3, que está em curso agora, nos daria ainda mais confiança neste projeto de estudo para os testes de ELA em 2 fases. Esperamos que acrescentar esta droga nos tratamentos já aprovados para a Esclerose Lateral Amiotrófica daria aos pacientes uma chance a mais de ficar saudável por mais tempo, com menor declínio das funções e com aumento de sobrevida."

A fase 3 do ensaio clínico - patrocinada pela Biogen Idec, que licenciou o desenvolvimento e a comercialização do dexpramipexole do Knopp - começou no início deste ano e as inscições foram concluidas no mundo todo. Valentin Gribkoff, assessor do Knopp Biosciences, é autor correspondente do artigo da Nature Medicine.

Fonte:http://todosporela.org.br/noticia/retardando-a-progressao-dos-sintomas.html