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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

14 de mai de 2011

Filosofia de um chinês sem nome

                              
 "O anúncio...tinha...apenas os números 1363 e 2818 que eram referentes às caixas postais da empresa, para onde os currículos deveriam ser enviados.   Na segunda feira cedo estava eu lá fazendo meu lobby... Mas como eu consegui descobrir o nome e o endereço da empresa, se no anúncio havia apenas os nºs das caixas postais? "

                                                                                                                     Por Antonio Jorge de Melo
“O importante não é o fato em si, mas o que vem depois dele.” Ouvi essa frase pela primeira vez há alguns anos em uma palestra motivacional promovida por uma empresa onde eu atuava como Representante de Vendas. Lembro-me do lugar, foi no salão de convenções do Porto Real Resort, lá na bucólica cidade de Angra dos Reis, mas não me lembro do nome daquele chinês atarracadinho que chegou em uma reluzente Mercdez Benz verde para dar o seu recado para aquela ansiosa e inquieta tropa de vendedores, para nos ensinar a sua interessante filosofia.
A tese dele se baseava em uma história que ele narrava, onde o personagem da história sempre se deparava com alguma situação considerada trágica ou ruim, mas passado algum tempo, aquilo que parecia ser tão trágico e tão ruim se transformava em uma oportunidade para algo melhor, e o ciclo da história transcorria assim. No final, tudo dava certo.
 Falando de forma generalizada sobre esse tema, parece até aquelas célebres frases prontas que guardamos para certas ocasiões quando não sabemos exatamente o que falar, tipo: “Isso vai passar”; “Dias melhores virão”; “Deus escreve certo por linhas tortas”; “Nada como um dia após o outro”, etc. Mas após algumas reflexões a respeito da minha própria vida, posso concluir que, se o princípio filosófico daquele motivado e entusiasta chinês não é 100% eficaz, posso dizer que ele tem lá seu valor.
Lembro-me que no ano de 1989 passei pela pior crise da minha vida (pelo menos eu imaginava que fosse): fiquei desempregado numa época em que a inflação do Brasil chegava a 70% ao mês , minhas filhas tinham dois anos uma e meses a outra. Naquela época consegui superar minha dificuldade de conseguir um novo emprego adquirindo um veículo com o qual eu fazia transportes. No início foi difícil, mas seis meses depois eu já estava dominando a situação e me achando o cara...até que o veículo foi roubado!!! Como não tinha seguro...
Sem opção, comecei a comprar jornal aos domingos, coisa que eu não fazia antes por total falta de tempo e interesse (naquele tempo era assim que se procurava emprego), e por uma incrível sorte do destino (ou por um milagre Divino) encontrei um anúncio que pedia um Representante de Vendas para trabalhar na cidade de Volta Redonda, que por acaso era a cidade da minha esposa, mas naquele tempo nós morávamos na cidade do Rio de Janeiro. O anúncio não tinha endereço, nem o nome da empresa, apenas os números 1363 e 2818 que eram referentes às caixas postais da empresa, para onde os currículos deveriam ser enviados.   Na segunda feira cedo estava eu lá fazendo meu lobby nas dependências daquela empresa . Mas como eu consegui descobrir o nome e o endereço da empresa, se no anúncio havia apenas os nºs das caixas postais? Pois é, aqui começa uma nova história que vai de encontro aos princípios ensinados por aquele guru chinês.
Acontece que nos anos de 1974 a 1976 eu trabalhei como Office Boy em uma empresa, e uma das minhas funções ali era recolher duas vezes ao dia as correspondências das suas duas caixas postais dessa empresa. O tempo passou, mas aqueles nºs nunca saíram da minha lembrança.
 Assim, de repente, somente e apenas por causa de duas tragédias que se sucederam na minha vida (lembram que fiquei desempregado e seis meses depois meu ganha-pão foi roubado?), estava eu ali diante de uma oportunidade de trabalho que eu jamais imaginara que pudesse estar, com um salário que nunca havia ganho antes, e um monte de benefícios.  Assim, aos 30 anos de idade e sem nenhuma experiência anterior na área de vendas, dei início a uma nova e maravilhosa etapa da minha vida, e a uma linda carreira profissional que durou 20 anos, sendo interrompida em 2010 apenas por causa dela, a ELA. Durante esses 20 anos conquistei muitas coisas, e se hoje posso ter um pouco de tranqüilidade e oportunidade de cuidar da minha fragilizada saúde, devo a esses 20 anos em que atuei como Representante de Vendas em diversas empresas.
Então, como num flashback que me levou de volta ao passado, devo admitir que o chinês estava certo em seus ensinamentos. Como estou diante de um novo e terrível desafio, dessa vez envolvendo não questões financeiras ou de alto-realização, mas de saúde, torço para que a filosofia ensinada pelo Chinês dê certo novamente na minha vida. Isso me faz pensar não na doença em si, mas nas grandes oportunidades que terei depois... embora seja difícil para mim deslumbrá-las.