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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

7 de jun de 2011

ELA me aposentou por invalidez...



                                                                                                     Por Antonio Jorge de Melo

“Jorge, você precisa parar...” Gelei de cima em baixo, quando o Dr Marco Chieia, Neurologista que acompanha o meu caso me disse isso. Era outubro de 2009, eu estava no seu consultório em s Paulo. Lembro-me como se fosse hoje. Acontece que a ficha ainda não havia caído, e eu prontamente disse a ele que não, que eu iria negociar com a empresa uma forma de eu continuar trabalhando sem ter que empreender grandes esforços. Ele, do alto da sua sabedoria e fleuma digna de um “monge do Tibet”, prontamente acatou a minha decisão.
Por incrível que possa parecer, a empresa concordou com a minha proposta. Parei de viajar, não fui mais cobrado em relação a uma meta mínima diária de produtividade. Enfim, o negócio tava bom até demais.
No início do ano seguinte, após as férias coletivas, precisamente no mês de março de 2010 chamei minha gerente e expliquei que mesmo daquela maneira estava muito difícil para eu continuar com minha atividade laboral. Alguns dias depois o RH me convidou a fazer uma perícia no INSS de minha cidade. Ansioso feito noivo na véspera do casamento, para lá me dirigi, e após uma anamnese seguida de muito papo e consulta ao colega ao lado, o médico perito me concedeu o auxílio-doença, e remarcou uma nova perícia para o dia 09 de outubro de 2010.
Passado esse tempo, lá estava eu de novo, agora nem tanto ansioso, mas curioso em saber no que daria tudo aquilo. Fui atendido por uma perita, rosto de menina, que me pareceu não ter nenhum conhecimento de doenças neuromusculares. Chegou a me propor o retorno a uma atividade laboral tipo “ensinar”. Ela descobriu uma nova vocação em mim que eu mesmo desconhecia... que legal!!! Não satisfeita com a proposta a mim lançada, também se referiu a minha protuberância abdominal somada a uns “quilinhos” a mais pelo codinome “forma de barril”, e me pediu que andasse sem a Emanuelle (a minha inseparável muleta canadense, sem a qual andar é um verdadeiro martírio), e chegou a perguntar se eu a usava apenas para prevenir o desequilíbrio... Ah!!!   Não teve jeito, fui obrigado a dar umas explicações sobre a etiopatogenia da ELA para aquela perita.
Saí de lá com a convicção de que eu nunca seria aposentado por invalidez. Nem mesmo data de retorno a perita marcou. Fiquei arrasado, chateado e desanimado com tudo aquilo.
Pois bem, o tempo passou, e agora no mês de maio último, após ter recebido alguns conselhos de um amigo que tem Esclerose Múltipla e já é aposentado por invalidez há bastante tempo, no dia seguinte fui ao INSS saber as quantas andava o meu processo. Claro, não consegui descobrir nada!  Voltei na parte da tarde daquele mesmo dia para falar com o chefe do setor onde tramitam os processos, e para minha grande surpresa fiquei sabendo que o meu processo estava deferido desde o dia 19 de outubro, apenas alguns dias depois daquela perícia que julguei ter sido a minha derrota na conquista da minha aposentadoria por invalidez.
Mas porque o INSS não me comunicou isso? Sabe-se lá por quais “forças ocultas” (como disse certa vez o saudoso Jânio Quadros quando indagado sobre as motivações de sua renúncia a Presidência da República) eles não me comunicaram o tal deferimento.  
De posse daquele documento sagrado, fui até um outro setor do INSS e protocolei o meu pedido de aposentadoria, e na mesma oportunidade já requeri os 25% adicionais que todo aposentado por invalidez tem direito, quando ele depende de um cuidador.
Que maravilha, agora estou aposentado por invalidez! Vou receber o meu primeiro “faz-me rir” agora dia 21 de junho, e com certeza terei argumentos para contar uma nova história. 
       
Eu, Sônia e a Emanuelle (minha inseparavel bengala canadense)



Eu com Dr Marco: paciência e fleuma digna de um "monge Tibetano"


 Drª Carla Jevoux, que preencheu meu atestado de afastamento laborial