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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

16 de jul de 2011

“Passeioterapia”: um tratamento sem contra-indicações.


                                                                              



                                                    
                                                   Por Antonio Jorge de Melo

Teleférico para o Morro do Elefante
 Finalmente chegou o dia. Passeio de pobre é assim, a gente viaja mais nos dias que antecedem o passeio do que no passeio propriamente dito. É mapa, é pesquisa na Internet, é ligando para pechinchar um bom pacote... e por aí vai.
Essa foi a segunda vez que eu e a Sonia (minha incansável cuidadora) nos aventuramos de cadeira de rodas em um passeio turístico.  No ano passado, em junho fomos a Buenos Aires. Pelo fato de já estar com os movimentos da perna bastante comprometidos naquela época pela “mardita”, optei em comprar uma cdr para levar na viagem, quando então pude experimentar pela primeira vez o que é ser vítima de uma cidade sem inclusão e acessibilidade, necessitando de alguém para me empurrar pelos lugares onde em outros tempos eu conseguiria me virar sozinho.

Serra da Mantiqueira vista do trem
Superada essa fase, um ano depois resolvemos repetir a dose, e o lugar escolhido foi Campos do Jordão, que detem a fama de ser a mais alta cidade serrana do Brasil, do alto dos seus 1628m de altitude.
Foram 5 dias maravilhosos onde pude fazer bastante “passeioterapia”, uma conhecida modalidade terapêutica que proporciona excelentes resultados em qualquer patologia, inclusive ELA. Aquelas dores que sinto em casa do fio do cabelo até a unha do pé sumiram! A apatia, o pessimismo, o desânimo, também não faço a mínima idéia para onde foram. Cheguei mesmo ao ponto de transcender e esquecer que tenho a “mardita”.

Palácio do Governador
Foto "proibidona I"
Foto "proibidona II"













Foto "proibidona III"
   Chegamos até a fazer uma estripoliazinha, que nos custou um convite para nos retirarmos do Palácio do Governador (um importante ponto turístico da cidade), considerada a residência    e nos juntarmos a “muvucada” de turistas que aguardavam no acesso principal daquele lugar, inacessível para um cadeirante, enquanto nos aguardava escancaradamente uma simpática porta lateral, que inclusive até rampa tinha. Não deu prá resistir. Infelizmente uma senhora no melhor estilo “sargentona” acabou com a nossa festa no Palácio...mas   que droga!!!

Está decretado, de agora em diante eu e a Sonia estaremos nos dedicando a fazer “passeioterapia” sempre que sobrar um trocadinho debaixo do pingüim da geladeira (é onde o pobre faz a sua poupança).
Quanto à inclusão e a  acessibilidade das cidades que nos esperam... ahhh, na hora a gente resolve. Descobrimos que a falta de inclusão e de acessibilidade podem ser superadas com um pouco de criatividade,  paciência, tolerância e solidariedade humana, que aliás, em Campos do Jordão para nós não  não faltou.