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Em 2009 fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor (DNM) Trata-se de uma doença neuromuscular, progressiva, degenerativa e sem cura. Mesmo assim insisto que vale a pena viver e lutar para que pesquisas, tratamentos paliativos, novos tratamentos cheguem ao Brasil no tempo + breve possível, alem do respeito no cumprimento dos nossos direitos. .

3 de jul de 2011

Se o limão é azedo...


                                      
                                                                              Por Antonio Jorge de Melo

Antigamente era muito comum nas praias do Rio (não sei se ainda existe) aqueles vendedores com um imenso tambor de inox a tiracolo gritando um jargão que já despertava nos freqüentadores da praia debaixo daquele solão quente de verão um forte desejo de matar a sede: “limonada gelada... limonada gelada!”. Realmente, tem coisa mais saborosa do que uma boa limonada gelada quando a gente esta com sede e morrendo de calor?  Pois é, pensemos que as adversidades da vida são os limões que somos obrigados a digerir. Mas quem consegue chupar um limão e achar isso prazeroso?  O ideal é acrescentar água, açúcar, e claro, bastante gelo. Aí o negócio fica mais, digamos, suportável.
Assim é o que devemos fazer com as nossas próprias adversidades, acrescentar os ingredientes certos para transformar a adversidade em algo bom e prazeroso como uma limonada gelada em um calorento dia de verão.
Falando de mim, descobri o quanto é importante fazer parte das redes sociais voltadas à discussão das doenças neuromusculares, (particularmente a ELA), onde é possível compartilhar com pessoas que vivenciam no seu dia a dia exatamente as mesmas dificuldades, os mesmos medos e as mesmas  dúvidas e incertezas  que eu.  Ao mesmo tempo, estamos sempre nos atualizando e sendo informados a quantas andam as pesquisas clínicas, as opções de tratamento, a opinião de pacientes, cuidadores, profissionais de saúde, etc.
Encontrei ainda uma  outra forma de fazer uma boa limonada: dei uma “turbinada” no convívio com a família, particularmente com a minha esposa. Descobri nela o verdadeiro sentido do amor, da disponibilidade em servir, em se doar, em dividir.  Quanto a mim, tento de toda maneira retribuí-la, realimentando assim um maravilhoso ciclo de união e cumplicidade.
 Tenho um filho de 14 anos, o Tiago, que já entendeu o papel dele no seio da nossa família. Tudo que eu na condição de pai provedor antigamente fazia, agora cabe a ele fazer, desde ir à padaria comprar pão, até subir no sótão da casa para guardar algum objeto. Pronto, aí está a receita de uma das maneiras que optei em fazer a minha limonada.
Com certeza existe uma infinidade de outras maneiras de se fazer uma boa limonada. Invente a sua!